“Ficar doente jovem é difícil de todas as maneiras”, conta escritora que sobreviveu à leucemia

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Por boa parte do começo dos meus 20 anos, eu fui a Garota da Bolha. Aos 22 anos, quando descobri que tinha leucemia, meu mundo de repente se resumiu a quatro paredes brancas, uma cama de hospital e um matagal de tubos e fios que me conectavam com um suporte de IV. De um dia para o outro, perdi a habilidade de ter um emprego, ir a festas, viajar ou atingir qualquer um dos pequenos ou grandes marcos que fazem parte da vida de um jovem adulto.

Ficar doente enquanto jovem é difícil de todas as maneiras que se pode imaginar e muito mais, mas na maior parte do tempo pode ser apenas incrivelmente entediante. “Você precisa de um projeto”, as pessoas não paravam de me dizer durante minhas primeiras semanas no hospital. Os voluntários locais ofereceram uma variedade de aulas para diminuir o marasmo dos dias com coisas como tricô e confecção de colares de contas e amuletos. Mas nenhuma dessas atividades me interessou. Afinal, estava doente, não aposentada.

Foi mais ou menos aí que meus amigos e minha família sugeriram que começássemos algo chamado “Projeto dos 100 Dias”. A ideia era que cada um de nós faria algo criativo uma vez por dia, todos os dias, por 100 dias.

Minha mãe decidiu pintar uma aquarela todas as manhãs junto a minha cama de hospital. Meu pai, que quase nunca falou sobre como havia sido crescer em uma família com sete filhos numa região rural da Tunísia, escreveu 100 memórias de infância em um livro para mim.

Para o meu Projeto dos 100 Dias, escolhi escrever. Prometi para mim mesma que, não importando o quão doente e cansada estivesse, faria anotações em um diário todos os dias. O Projeto dos 100 Dias era para ser uma distração do barulho constante dos monitores e da conversa dos estudantes de medicina no corredor. Com o tempo, no entanto, tornou-se muito mais do que isso. Foi a maneira de organizar meus dias em torno de um pequeno e simples ato de felicidade.

Manter o diário me mostrou como escrever podia me ajudar a sair de meu inferno particular. Deu-me voz quando sentia que não a tinha e algo para fazer que ia além de apenas tentar sobreviver. Montar um plano de 100 dias era me transportar para o futuro, mesmo que ele parecesse incerto.

Um ano depois do meu diagnóstico, o 100 Dias ganhou um significado extra enquanto me preparava para passar por um angustiante transplante de medula que teve meu irmão Adam como doador. O objetivo era chegar ao dia 100 ou “Dia de Prova” como dizem os médicos, a primeira marca importante para avaliar a recuperação do paciente que passou por um transplante.

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