Mulher faz sopa com alimentos reaproveitados e distribui na rua no DF

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Preocupada com o desperdício de comida e com o grande número de pessoas passando fome, a professora universitária Lisa Minari recolhe, três vezes por semana, alimentos descartados em supermercados para preparar refeições para moradores de rua, na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília (DF). Há quatro anos, Lisa já pegava frutas, legumes e pães e distribuía para famílias carentes e vizinhos. A distribuição de sopa começou há pouco mais de um ano e beneficia mais de 30 pessoas por noite na cidade.

Lisa percorre supermercados e feiras três vezes por semana e arrecada cerca de 25 kg por visita. A agilidade é o que garante os melhores alimentos. “Eu prefiro ir a feiras de rua. No final do dia, ficam, no chão, frutas e legumes em ótimo estado. Basta prestar atenção na textura, cheiro e cor”, conta. A professora revelou ainda que consome os alimentos em casa.

Essas sobras são comida de qualidade e não devem ser tratadas como lixo. Eu mesma como. Minha família me ensinou a reaproveitar tudo

Depois de coletados, esses legumes viram uma sopa que é distribuída toda terça-feira, às 22h, na rodoviária, mas o trabalho começa mais cedo, às 17h.

A professora reserva a tarde para limpar cada um dos legumes, lavar e cortar em cubos. O caldo cozinha por uma hora e meia. Depois vai para o liquidificador e chega quente para os que aguardam uma das poucas refeições do dia. “Eles falam para mim que parece a sopa da vovó. Isso faz valer a pena.”

A sopa ainda acompanha pães e, às vezes, bolos que a professora consegue de doação de uma padaria. “Eles trocam os pães que não são vendidos cerca de duas a três vezes por dia. São cinco sacos enormes de alimentos que iam para o lixo”, conta. Lisa leva os pães e distribui não só para a refeição noturna, mas para a manhã. “Eles têm a refeição agora, mas quando acordam também sentem fome. É uma garantia.”

Fátima Fonseca, natural de Minas Gerais, não sabe dizer há quanto tempo vive na rua. Na região do Plano Piloto, área central de Brasília, ela chegou há seis meses e toda terça-feira espera o carro de Lisa estacionar para pegar um pouco de comida. “Hoje eu só tinha comido algumas laranjas o dia todo. Minha alimentação depende dessas pessoas, porque tudo que eu tenho está aqui, se eu levantar alguém rouba”, conta a senhora enquanto mostra os sacos ao redor do canto que dorme. Além de Fátima, outros idosos, jovens, crianças e até famílias são atendidas na região. “A comida é importante, mas é também uma desculpa para se aproximar dessas pessoas. Nós gostamos de conversar, chamar pelo nome e humanizar”, explica Lisa.

O sonho da professora é que o projeto cresça. “Minha ideia é que as pessoas se juntem em pequenos grupos, em ações pequenas nas suas cidades. Se todos nós fizermos um pouco, teremos muito”, argumento Lisa. Para quem quer começar, Lisa diz que é preciso pensar em quem beneficiar primeiro. Depois, procurar mercados e feiras, falar com as pessoas, explicar a proposta e procurar amigos para acompanhar a entrega dos alimentos. “É importante dar continuidade, nem que a pessoa entregue apenas uma vez por mês”, ressaltou.

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